
Olá, amiguinhos! Depois de um post um tanto
polêmico {?} que foi o passado, hoje resolvi vir com algo bem relax e um pouco diferente do que estou acostumada a escrever por aqui. É uma história, meio que uma
crônica; na realidade eu não sei em que categoria colocar isto que escrevi, já que na verdade eu não entendo nada dessas categorias de texto. Para mim, sendo uma história, é uma narrativa... Tendo um narrador, é uma história. Bem, vocês me entenderam. xD Só queria, de início, dar algumas explicações. O personagem principal
não tem nome, mas isso na realidade não é necessário para o entendimento da história; muito menos o lugar onde ele vive ou quantos anos ele tem. E é tudo ficcional. É uma narrativa em primeira pessoa; portanto, não se confundam. O narrador é o personagem principal, e eu sou apenas a autora que resolveu inventar uma história qualquer. Espero que
se divirtam lendo! o/ (o título é o título do post mesmo, err..)
Era uma noite dessas de arrepiar os pêlos de qualquer criatura que porventura estivesse a perambular pelos becos à procura de uma refeição qualquer. Não digo pelo frio ou pelo vento, que nem eram tão intensos assim; mas pela escuridão digna de um bom filme de terror. Não só a escuridão em si, mas esta junto a um silêncio sepulcral, criavam uma melodia
fantasmagórica ritmada pelo pingar do esgoto sujo do cano de uma fábrica abandonada a alguns metros de onde eu me encontrava.
Bem, onde estava eu, o leitor deve se perguntar. Era a Rua José Sequilho, pequena, curta, estreita, abandonada. Não parecia haver ninguém por perto, aliás, creio que não havia uma alma, ao menos
viva, morando naquele lugar. Agora, querido leitor, associe o local à melodia, analise o ambiente de minha situação. Só repito que era fantasmagórico por não encontrar adjetivo melhor no momento.
Agora, você deve estar se perguntando a razão de eu estar num lugar tão terrível numa noite não menos aterrorizante. Pois bem, vou contar-lhe o caso. Aconteceu... Não, melhor dizendo,
começou na manhã do mesmo dia. Estava eu me aprontando para o trabalho (era então empregado num mercadinho da região; não era nada de se elogiar, eu sei, mas antes isto do que a vergonha de não ter o dinheiro necessário para as contas de todo mês). Já com as chaves do carro na mão, lembrei-me que era dia de rodízio. Sempre fui uma pessoa de acordo com as leis, mas quem nunca passou por um momento de
ódio ao estar com pressa e não ter um automóvel para contar?
Calculo que foi a partir daí que meu dia desmoronou. Claro que, para agravar meu sentimento, motoristas de ônibus resolveram reivindicar seus direitos no mesmo dia. Não vi outra alternativa senão andar até o mercadinho. Não era extremamente longe, mas as ladeiras eram custosas para minhas pernas destreinadas. Enfim, chegara ao local, e por sorte ouvi apenas uma bronca mas pude continuar no emprego. Choveu naquela tarde; na verdade,
despencou o céu. Posso estar exagerando, mas no momento era o que parecia. Cheguei a rezar para que a tempestade parasse, e mais uma vez tive sorte. Hoje chego a me questionar se este dia foi realmente o mais azarado, e não o mais sortudo de minha vida.
No final do expediente, ia me preparando para caminhar até em casa, quando um amigo (Martins Fonseca) me convidou para uma cerveja, na verdade uma "
happy hour" com alguns amigos. Disse-lhe que mehor não, pois estava sem carro; e não é que o rapaz de convenceu, prometendo que me daria uma carona até em casa depois?
Fomos, bebemos, conversamos. A noite já havia tomado o lugar no céu, mas não estava tão escura nem tão silenciosa quanto ficou mais tarde. Não me preocupei, aproveitei a bebedeira e relaxei como não fazia há tempos. Pois sim, sempre fui um homem preocupado com o trabalho e isso me consumia a alma (e, sengundo meu
cardiologista, também meu coração). O grande problema, acredito eu, foi que relaxei até demais. As horas passaram, acabei cochilando no meio da algazarra.
Quando dei por mim, estava deitado no chão frio da calçada da R. J. Sequilho (a qual só reconheci pela fábrica abandonada), claro que me levantei num ímpeto. Custei a organizar as memórias, confesso aqui que até hoje não compreendo
o motivo de eu ter chegado lá. Não sei. Só tenho a certeza de que não fora nenhum ato criminoso, afinal nada me havia sido roubado (coisa que logo conferi).
Também dias depois fui tratar com Martins, este me contou que eu havia ido para casa andando e recusara qualquer carona. Penso que, por estar alterado, errei a direção e e o caminho de casa.
É mesmo uma dúvida.
Enfim, deixe-me voltar à noite sombria da rua abandonada. Não me preocupei em saber que horas seriam, mas provavelmente passava das duas da matina. Já não sentia a alteração produzida pelo álcool, o efeito passara. O importante naquele instante era retornar à casa. O esgoto pingando do cano era quase
imperceptível aos meus ouvidos. Tratei de dar os primeiros passos. Eram pesados, lentos, afinal, entendam que aquele ambiente possuía uma atmosfera densa, quase hostil, perigosa, na minha opinião. Quem sabe se o medo tornou o local mais desagradável, ou se era
realmente assim, não consigo afirmar.
Foi então que levei o
maior susto da minha vida. Se meu cardiologista conhecesse a história, diria que eu teria morrido naquele dia. Meu cardiologista sempre fora um homem exagerado. Bem, o susto foi devido a uma cena de poucos segundos, talvez nem um segundo, é difícil calcular o tempo, afinal sempre fui uma pessoa da opinião de que
o tempo é relativo.
Eis o que aconteceu: o ritmo da melodia parou, o silêncio era agora total. Um gato negro passou, fato que notei mesmo não sendo
supersticioso. Uma senhora já de idade abriu o portão da casa à minha direita. Andava torto, devagar, com uma bengalinha apoiando-se. Parou à minha frente,
encarou-me. Pedi licença, afinal tinha pressa para deixar aquele lugar. Os olhos da idosa moveram-se, rapidamente, para todas as direções possíveis. Fez uma expressão
inexplicável e tornou a encarar-me. Sorriu e continuou a caminhar no sentido contrário ao meu, até sumir de vista na escuridão.
Não posso descrever hoje com convicção o que senti na hora. Foi como uma mistura de medo, pavor, incredulidade, susto. Lembro-me que andei rapidamente até em casa; na verdade, creio até que tenha
corrido. Nunca mais retornei à Rua José Sequilho, nunca mais encontrei (graças a Deus) aquela senhora. Talvez tudo não tenha passado de um sonho, um pesadelo para ser mais exato. Afinal, há alguns sonhos que produzem as mesmas sensações da vida real. E também existem aqueles momentos na vida que parecem sonho ou ilusão. Então, será que tudo não está na realidade interligado num
único mundo de sensações?